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A dama canta o blues
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A cantora Billie Holiday. Crédito: AP Photo

A cantora Billie Holiday. Crédito: AP Photo

Lucas Colombo
Especial para o UOL

O que escrever sobre Billie Holiday, neste mês em que se completam 55 anos de sua morte? O que ainda não foi dito acerca dessa fabulosa cantora? Talvez a maior intérprete do jazz, com Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald a dividir o pódio, ela faleceu em 17 de julho de 1959, aos 44 anos. Este texto corre o risco de ser redundante e apenas destacar o que é sempre destacado nela, porém não há muito espaço de manobra. É impossível não elogiar o timbre prontamente reconhecível, a grande capacidade de expressar emoções através do canto, a sensualidade. Sua voz não é o que se pode chamar de “bonita”; é áspera, rascante, anasalada, mas flexível e quente. Com seu fraseado que “jogava” com o ritmo e sua sensibilidade melódica, Billie contribuiu para definir o que é cantar no jazz (Frank Sinatra, aliás, ia ouvi-la quase toda noite) e tornou-se referência até de instrumentistas. Só para permanecer nas intérpretes, e nas contemporâneas, Cassandra Wilson e Madeleine Peyroux são duas que se assumem bastante influenciadas por Lady Day – como Billie foi apelidada pelo parceiro saxofonista Lester Young.

Relativamente fácil apontar suas qualidades, difícil selecionar, por serem tantas, suas interpretações mais notáveis. É que não faltou material de trabalho para Billie expor sua competência: o período no qual viveu foi o mais rico da canção americana, e ela soube usufruí-lo. Gravou todos os grandes compositores. De Duke Ellington, são marcantes em sua voz “Solitude”, em que desenvolve um clima melancólico comovente (há duas versões, a melhor é a em que canta acompanhada do piano de Oscar Peterson e do violão de Barney Kessel, 1952), e “Sophisticated lady”, em que, além da sutil contundência com que emite a letra sobre a senhora que, embora tente disfarçar, sente falta de um amor do passado, demonstra seu controle dos tempos lentos, cujo emprego no jazz vocal igualmente é considerado pioneirismo seu. De Cole Porter, sobressaem-se uma “Let’s do it” graciosa, uma “Love for sale” mais seca (talvez porque, conforme lerão abaixo, conhecesse o tema abordado na letra: prostituição) e uma “Night and day” mais vagarosa. De George Gershwin, uma “The man I love” dengosa e uma “I loves you Porgy” (ária da ópera jazz “Porgy and Bess” em que a protagonista pede proteção ao amado contra o vilão) de drama contido. De Irving Berlin, “Cheek to cheek”, é claro.

Billie Holiday em ilustração do cartunista William Stout

Billie Holiday em ilustração do cartunista William Stout

Em qualquer relação do melhor de Billie, porém, não podem faltar músicas de autores menos festejados mas muito bem tratados por ela. São casos como os de Harold Arlen (“Stormy weather”) e Jimmy Davis (“Lover man”). Outro é Lewis Allan, pseudônimo de Abel Meeropol, poeta que escreveu a emblemática – em termos políticos, não musicais – “Strange fruit”, um protesto contra o linchamento de negros sob o intenso racismo no sul dos Estados Unidos (“Strange fruit hanging from the poplar trees…”), só abolido oficialmente na década de 1960. Hoje muito associada a “Strange fruit”, Billie tinha a canção como o ponto alto de seus shows do começo dos anos 1940, mesmo com várias rádios negando-se a tocá-la.

A grande cantora, no entanto, ainda compunha: “Lady sings the blues” (mesmo título de sua célebre autobiografia, publicada em 1956), “Don’t explain” e “God bless the child”, entre outras menos difundidas, são dela própria, com parceiros. “Fine and mellow”, só dela, começa com o lamento de uma mulher pelos maus-tratos de um homem (“My man don’t love me/treats me, oh, so mean/He’s the lowest man/that I’ve ever seen”), para depois revelar que, apesar disso, ela não resiste quando o sujeito se faz carinhoso (“But when he starts in to love me/he’s so fine and mellow…”). Todos bons casamentos de melodia e letra, de pouquíssimas regravações à altura das versões originais da autora.

A cantora norte-americana Billie Holiday Crédito: FSP - Ilustrada

A cantora norte-americana Billie Holiday
Crédito: FSP – Ilustrada

Outra admiradora sua, a ótima cantora e pianista Shirley Horn (1934-2005) declarou, para o encarte de uma coletânea de 1997, que Billie ajudou a mostrar que canções têm de contar uma história, “significar algo, traçar uma pintura para você (…). Ela não exagerava e brincava e coisas do tipo, feito alguns cantores; apenas parava e cantava. Cantar uma canção, pintar um quadro; deixar você saber tudo o que estava acontecendo, então você poderia ver como a vida dela era.” Pois a própria Lady Day, certa vez, salientou que, para cantar “o blues” (o jazz nasceu do blues, do ragtime e das brass bands), “você tem de senti-lo”, e que tudo que cantava era parte de sua vida. Sempre se deve desconfiar do clichê “a arte retrata a vida do artista”, mas, no caso de Billie, tal noção parece incontornável: ela transmitia por meio do canto muito da sua trajetória atribulada. Nascida quando a mãe tinha somente 13 anos, Eleonora Fagan Gough – seu nome verdadeiro – passou por infância pobre, sofreu abusos sexuais e chegou a prostituir-se na adolescência. Começou a cantar no início dos anos 1930, em nightclubs nova-iorquinos, foi descoberta pelo produtor John Hammond e consagrou-se depois em apresentações com o grupo de Benny Goodman e a orquestra de Artie Shaw, mas sua vida pessoal seguiu conturbada. Billie contabilizou episódios de depressão, decepções amorosas e vício em álcool e heroína, o qual, inclusive, levou-a à prisão, por porte de drogas. Morreu de cirrose. Sua arte sobrevive, para nosso prazer. E reiterar suas qualidades sempre valerá a pena.

“Just treat me right, baby
and I’ll stay home night and day…”

CLIQUE AQUI PARA OUVIR O MELHOR DE BILLIE HOLIDAY NA RÁDIO UOL


Alceu Valença lança vídeo de “Cavalo de Pau” exclusivo na Rádio UOL
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O músico Alceu Valença está se preparando para lançar o CD e DVD “Valencianas''. Gravado ao vivo em Belo Horizonte, o álbum conta com seus maiores sucessos em versões orquestradas. O trabalho é acompanhado pela Orquestra Ouro Preto, sob a regência do Maestro Rodrigo Toffolo.

O disco apresenta um repertório de 14 faixas clássicas do cantor, como “La Belle de Jour”, “Girassol”, “Coração Bobo”, “Tropicana”, “Anunciação” e “Porto da Saudade”, além de “Cavalo de Pau'', que você ouve com exclusividade aqui no Blog da Rádio UOL.

OUÇA O MELHOR DE ALCEU VALENÇA NA RÁDIO UOL


Daniel Daibem faz um convite com exclusividade aos ouvintes da Rádio UOL!
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O músico e guitarrista Daniel Daibem, líder do Daniel Daibem Grupo, entra esta semana em curta temporada de apresentações no restaurante Alucci Alucci.

Além de tocar, o músico propõe debates sobre o ritmo soul jazz em clima de descontração entre as apresentações.

 

Serviço: Apresentação Daniel Daibem Grupo
Quando: 30 de julho
OndeRua Vitório Fasano, 35 – Jardins


Kauê Lorenz lança clipe com artistas de rua e Michael Jackson cover
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André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

Gravado em pleno centro de São Paulo, o primeiro clipe de Kauê Lorenz após nove anos de estrada como vocalista da banda Element traz à tona sua sonoridade e uma mensagem de apoio à arte de rua.

O videoclipe de “Me Vendo na TV” conta com a participação de diversos artistas de rua, desde malabaristas e dançarinos até um cover de Michael Jackson. “A música fala de um sonho que a gente acredita e corre atrás”, explicou o cantor ao UOL.

Para o compositor, a arte de rua não recebe a devida atenção e respeito. “Fora do Brasil, as pessoas param para ver os artistas”, contou. O pouco espaço que se dá a esses profissionais também é um problema para músicos.

“Se você quer ser músico, se quer ter uma banda, tem que saber o público que se quer atingir e a verdade que quer passar”, acredita Kauê, que começou muito jovem no mundo da música e, como ele próprio diz, “já sabia o que queria”.

Apesar de ter consciência das dificuldades para quem está começando, e ter sentido na pele tudo isso, ele é otimista quanto ao cenário roqueiro: “O rock está voltando”, prevê.

“Sempre busco uma sonoridade nova para não fazer mais do mesmo”, afirma o cantor. Influenciado por bandas do pop rock nacional e internacional como Paralamas do Sucesso, Muse, Kings of Leon e Capital Inicial, Kauê Lorentz está lançando o primeiro disco, “Um Passo Pra Recomeçar”, que conta com a faixa “Me Vendo na TV”.


Rodrigo Zanc conquista fãs com viola e voz afinadas pelas batidas do coração
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Crédito: Adriano Rosa

Crédito: Adriano Rosa

Marcelino Lima
Especial para o UOL*

O cantor e compositor Rodrigo Zanc fará neste domingo, 27 de julho mais uma apresentação baseada no repertório dos discos “Pendenga” e “Fruto da Lida” e de autores consagrados das músicas regional e popular. O show desta vez será levado ao público do SESC Campinas, com entrada franca, e previsto para começar às 16 horas. A cidade reúne muitos admiradores, mas a cantoria deverá atrair também amigos e seguidores de municípios da região campineira e próximos como Americana, Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e até São Paulo, já que o público de Zanc é fiel e vem crescendo em todo o Estado.

Quem ouve Rodrigo Zanc pela primeira vez raramente deixa de se filiar ao fã clube deste morador de São Carlos, nascido na vizinha Araraquara. Com a viola geralmente acompanhada pelo baixo de Ricieri Nascimento, a bateria de Bruno Bernini e o violão do filho Rodrigo Zanin, entre outros companheiros, Zanc costuma cantar como quem declama ou transmite em orações raízes cultivadas em ambientes como o sítio do avô Juca, que inspira a canção “Sítio Paraíso”. Neste ambiente, experimentou o gosto tanto pelas modas de viola, quanto por outras vertentes brasileiras cujas bases permitiram formar uma visão de mundo que prega a simplicidade e a autenticidade, seja no dia a dia ou no trabalho artístico. Independentemente do palco que ele estiver ocupando com sua banda, montado em uma quermesse ou em um teatro nobre como o do programa Sr. Brasil, Zanc literalmente deixa suada a camisa tamanha é a energia e entrega que desprende no ofício.

Rodrigo Zanc (dir.) com Cláudio Lacerda homenageiam Pena Branca e Xavantinho Crédito: Marcelino Lima

Rodrigo Zanc (dir.) com Cláudio Lacerda homenageiam Pena Branca e Xavantinho
Crédito: Marcelino Lima

“Estou fazendo o que eu deveria e realmente queria para minha vida, mas acredito que somente estando afinado com o próprio interior você consegue tocar pessoas”, disse. “Sou muito enfático quando digo que cada um de nós precisa ser transparente e agir com o coração aberto”, prossegue Zanc, que se espelha muito em Pena Branca, irmão de Xavantinho. “O Pena não era um virtuoso, mas quando batia a mão nas cordas da viola e abria a boca para cantar, muitos choravam”.

Os irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca) e Ranulfo Ramiro da Silva, por sinal, influenciaram bastante Rodrigo Zanc. Várias composições escritas ou interpretadas pela dupla como “Chuá, Chuá”, “Cio da Terra” e “Cuitelinho” são lembradas nos shows dele. Tamanha admiração por ambos o uniu a Cláudio Lacerda, cantor e compositor paulista com o qual Zanc dedica projeto em tributo aos lídimos caipiras, filhos de Uberlândia. O próprio Pena Branca participou das primeiras homenagens, iniciadas em janeiro de 2010, no SESC Pompeia, semanas antes de morrer.

Ainda com Cláudio Lacerda, mais Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP), Zanc forma o grupo “4 Cantos”. O quarteto executa exclusivamente músicas autorais com o intuito de alargar e estender suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, entretanto, estes caminhos evidenciam talentos gêmeos, prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas mais expressivas manifestações, a viola caipira. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações e por onde eles ocorrem há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons.

Crédito: Elisa Espíndola

Crédito: Elisa Espíndola

Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais. A plateia ouviu “Véio Cemitério”, composição de Zanc, Murilo Romano e Fernando Mori, um típico causo ou conto caipira cujo arranjo soa notas flamencas, atendendo ao pedido que o apresentador fez ao convidado.

A forte presença de elementos rurais e da vida no campo, todavia, não devem ser os únicos definidores da obra de Zanc — que a exemplo de muitos nomes hoje consagrados também já fez parte de uma dupla que existiu entre 1995 e 2000 e amadureceu em vários festivais pelo Interior paulista, com destaque para o “Viola de Todos os Cantos”. Promovidos durante dez anos pela rede de televisão EPTV, retransmissora da Rede Globo, estes certames reuniam perto de 15 mil pessoas a cada etapa em estádios e ginásios. Rodrigo tornou-se finalista em quatro edições, conquistando em 2007, em São Carlos, os troféus de vice-campeão e de melhor intérprete com a canção “Viola Enfeitiçada”, dele e de Isaias Andrade.

Esta classificação e a música premiada reforçariam o perfil de violeiro. Zanc até pondera que o adjetivo cabe, pois, afinal, é o instrumento com o qual ganha seu pão. “Mas nunca fui adepto aos rótulos e sempre acreditei na verdade do sujeito, nas influências que cada um tem. Podemos até reunir porções de vários elementos culturais e sociais, mas elas se misturam em quantidades diferentes à medida que vivemos. O cheiro do refogar de sua mãe quando ela está na cozinha, a música que se ouve em família, por exemplo, deixam marcas pessoais e o que sai de cada pessoa destas vivências é só dela, não pode ser comparado, muito menos classificado pelos critérios do mercado, regra que não é respeitada muito hoje em dia. Há demasiada imposição de ‘receitas de bolo’, embora o que é simples muitas vezes evoca mais do que coisas supostamente elaboradas”.

Rodrigo Zanc no palco do programa Sr.Brasil, com Rolando Boldrin Crédito: Marcelino Lima

Rodrigo Zanc no palco do programa Sr.Brasil, com Rolando Boldrin
Crédito: Marcelino Lima

Este jeito de ser e de agir também move os parceiros de Rodrigo Zanc, entre os quais o araraquarense cita Wolf Borges, Carlin de Almeida, Mauro Mendes, Murilo Romano, Fernando Mori, Ricieri Nascimento e Cláudio Lacerda. A identificação com Isaías Andrade, de Americana, por exemplo, já rendeu mais de quarenta composições, dez das quais entraram nos álbuns “Pendenga” (2006) e “Fruto da Lida” (2013), cujos selos são independentes.

“Isaias Andrade escreve tanto que tirou este peso de mim, posso me dedicar mais a burilar nossas músicas”, observou Zanc. As gavetas dos dois, entretanto, observem, ainda guardam inéditos 3/4 do que já produziram em conjunto. A boa notícia é que se depender dos planos que os compadres vêm costurando em sucessivas “noites de inspiração” que recentemente passaram a se repetir na sala de um ou do outro, o rico material será compartilhado mais um pouco com o público, em breve. “O ‘Fruto da Lida’ ainda tem muito a caminhar e o estradar nos ocupa muito tempo, mas temos a intenção de lançar um terceiro disco, autoral como o ‘Pendenga’, só com músicas do Isaias ou minhas e dele.”

Para saber mais sobre Rodrigo Zanc visite www.rodrigozanc.com.br e www.facebook.com/rodrigozanc.

*Marcelino Lima é jornalista e escreve no blog Barulho de Água Música sobre música caipira, de raiz, tradicional, regional e outros gêneros


Flautista Léa Freire convida ouvintes da Rádio UOL para seus shows
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Liderado pela flautista Léa Freire, o quinteto Vento em Madeira apresenta nova temporada de shows na Casa do Núcleo.

Léa convidou os ouvintes da Rádio UOL para prestigiarem sua apresentação nos dias 31 de julho e 8 e 28 de agosto, três quintas feiras.

Além da flautista, o grupo é formado por Teco Cardoso (sax e flauta), Tiago Costa (piano), Fernando Demarco (baixo acústico) e Edu Ribeiro (bateria).

Serviço: Vento em Madeira em SP
Quando: 31 de julho, 8 de agosto e 28 de agosto, às 21h
OndeRua Padre Cerdá, 25 – Alto de Pinheiros
Quanto: R$26


Ex-Mutantes Arnaldo Baptista convida internautas do UOL para seu show
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Um dos fundadores do lendário grupo Os Mutantes, Arnaldo Baptista realizará seu show “Sarau o Benedito?'' em Belo Horizonte no dia 3 de agosto, às 19h, e fez questão de convidar todos os fãs da Rádio UOL para prestigiar seu trabalho.

O cantor terá mais de 70 faixas em seu repertório, indo dos maiores clássicos às canções de seu novo disco, passando por diversas fases de sua carreira.

Serviço: Arnaldo Baptista em BH
Quando: Dia 3 de agosto, domingo, às 19h
Onde: Cine Theatro Brasil – Avenida Amazonas,  315, centro , Belo Horizonte
Quanto: Plateia I e plateia II R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)

Clique aqui para ouvir o melhor de Arnaldo Baptista na Rádio UOL


Conheça Cláudio Lacerda, mais um grande nome da viola caipira
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Crédito: Adriano Rosa

Crédito: Adriano Rosa

Marcelino Lima*
Especial para o UOL

O cantor Cláudio Lacerda, paulistano filho de mineiros, tem um currículo de composições próprias e de participações em álbuns de vários companheiros de estrada que o qualifica como um dos mais criativos e genuínos nomes da atual safra das músicas regional brasileira e de raiz. Entrevistado recentemente pelo violeiro Yassir Chediak, que apresenta o programa “Bom Dia Campo”, no Canal Rural, Lacerda revelou durante um agradável bate-papo entremeado por músicas da carreira parte de suas potencialidades e desta identidade ao cantar o clássico “Boiadeiro Errante”, de Teddy Vieira.

Autor de “Canto brasileiro”, em parceria com Eduardo Santhana e com participação do saudoso Dominguinhos durante a gravação do álbum Cantador (terceiro e mais recente da carreira, lançado em 2010), Cláudio Lacerda revelou a Chediak peculiaridades de uma vida atenta à natureza e regrada com modos simples, como cultivar orquídeas no sítio em que mora com a família, paciente trabalho conjunto que desenvolve com a esposa, agrônoma. Aproveitando a ocasião, também prestou tributo a baluartes da moda caipira ao lembrar que dedicou à memória de José Fortuna, Nonô Basílio, Angelino de Oliveira, Serrinha, Tonico, Cornélio Pires, e Capitão Furtado as faixas do segundo disco, “Alma Caipira”, de 2007.

Neste trabalho, o músico tornou públicas composições menos consagradas dos mestres revisitados, “aquelas que estão meio escondidinhas” dentro do amplo repertório de cada um deles. Ou seja: embora tenha o dom de compor as próprias obras com muita singularidade, sensibilidade e arte, Cláudio Lacerda inclina-se e vai às fontes mais cristalinas e doces do nosso cancioneiro de raiz não apenas buscar referências e inspiração, mas reverenciá-las, a elas levar nosso agradecimento. Se revelações tais quais ajudam a explicar de onde vem a riqueza e a poesia presente nas letras das suas canções, também evidenciam humildade.

foto claudio lacerda 2

Crédito: Marcelino Lima

Citamos Dominguinhos como parceiros que Cláudio Lacerda já encontrou na estrada e com os quais subiu ao palco, entretanto a lista é grande. Renato Teixeira, Lula Barbosa, Pinho, Levi Ramiro, Wilson Teixeira, Rodrigo Zanc, Luiz Salgado, Miriam Mirah, Turcão, Paulo Simões, Pena Branca, Rodrigo Delage, Alzira Espíndola, Noel Andrade são alguns exemplos presentes em sua discografia, ou com os quais compartilhou trabalhos assinados pelos amigos. Ao optar por deixar de lado a carreira em Zootecnia, Cláudio Lacerda entrou de corpo e de alma para o time de cantadores das belezas do país, e, no silêncio de seu retiro, procura trabalhar tenazmente para formatar novos projetos, tarefa que põe de lado apenas para atender contratos de shows — por sinal, vários, em centros como a Capital, Presidente Prudente, Taubaté, Araraquara, Franca, Marília, Bauru, Guarulhos e Brasília, passando por lugarejos como a acolhedora Clementina, distante mais de 500 km de São Paulo.

Um destes projetos ainda inéditos, intitulado “Olhos d’Água”, levanta a bandeira em defesa dos rios brasileiros, alguns inspiradores de músicas que se aninharam no inconsciente popular com força de hinos e que no dia a dia servem não apenas de meio de subsistência às populações ribeirinhas, de equilíbrio para o meio-ambiente e os biomas nacionais, mas ainda de vias pelas quais circulam fatos e lendas que constituem a alma dos povos; que em subidas ou descidas das embarcações por suas correntes já trouxeram ou levaram personagens que alegraram ou feriram muitos corações.

É uma forte mensagem de apoio e de preservação à natureza, em síntese, tendo como suporte um elemento que outrora corria mais farto e límpido e servia ao homem sem riscos, que as rodas do progresso pelo progresso ameaçam de extinção. O projeto foi apresentado a uma empresa de comercialização de cosméticos produzidos de forma sustentável, desenvolvidos a partir de plantas encontradas em nossas ricas e variadas espécies de vegetação. “Olhos d’Água” poderá colocar Cláudio Lacerda lado a lado com grandes cantores e compositores, entre os quais Paulo Simões, Paulo Freire, Levi Ramiro, Rodrigo Delage e Luiz Salgado. E prevê, da maneira como está formatado, apresentações em Belo Horizonte, Bonito (MS) e Piracicaba, com um fecho de ouro em Campinas para gravação do material audiovisual. Lacerda conta com uma resposta positiva e o videoclipe inserido em redes sociais já despertou o interesse de organizações como o SESC: um show sobre o tema está garantido para outubro, em Campinas.

Crédito: Adriano Rosa

Crédito: Adriano Rosa

As violas e violões de Cláudio Lacerda têm percorrido várias cidades do Interior paulista e fora do Estado de São Paulo, clubes, auditórios de teatros como Cacilda Becker e Crowne Plaza, palcos, estúdios de televisão — para entrevistas com Hebe Camargo e Ana Maria Braga, por exemplo –, e de emissoras de rádio. Além da recente entrevista para Yassir Chediak, Lacerda esteve com Rodrigo Zanc no programa “Dia Dia Rural”, levado ao ar em 13 de junho pelo canal de agronegócios “Terra Viva”, com apresentação de Tavinho Ceschi. Ao vivo, ambos comentaram como surgiu e vêm levando adiante projeto de tributo à Pena Branca e Xavantinho, o qual já completou quatro anos. Os primeiros programas e atividades deste resultaram em gravações no SESC Pompeia com a presença e o consentimento do próprio Pena Branca, que, infelizmente, morreria semanas depois.

Lacerda e Zanc também encantam plateias quando constituem o projeto “4 Cantos”, com o reforço de Luiz Salgado e Wilson Teixeira. Em suas apresentações, todos cantam exclusivamente músicas autorais que vão abrindo as suas próprias trilhas. Ao se encontrarem, estes caminhos evidenciam talentos prontos para realentarem e revigorarem a cultura popular por meio de uma de suas vertentes mais expressivas. São encontros de oito mãos e de múltiplas afinidades e afinações, atados não exatamente por fios condutores, e sim pelos arames utilizados nas cordas das respectivas violas caipiras, sempre bem entrosadas e temperadinhas no capricho, com o cuidado de quem alisa os cabelos da cabrocha, acabou de vir do pomar onde colheu uma fruta de delicada tez e sabor para ofertá-la à plateia.

Por onde o quarteto passa, há lotação na certa. O povo chega e se ajunta, vai ficando, vai ouvindo. Não demora, escutam-se pessoas perguntando a um colega do lado de onde saíram quatro moços assim tão bons; o rol de fãs, amigos e seguidores aumenta. Rolando Boldrin, que dispensa maiores comentários, admirou-se com esta formação. A convite do Sr. Brasil, em agosto de 2013, o “4 Cantos” gravou participação no programa que Boldrin conduz na TV Cultura. Em outubro, a cantoria foi ao ar e vem motivando visualizações em número cada vez maior na internet, com inúmeros compartilhamentos nas redes sociais.

Discografia de Cláudio Lacerda

“Alma Lavada”, de 2003, “Alma Caipira”, de 2007 e “Cantador”, de 2010 são os discos lançados por Cláudio Lacerda, agraciado por três vezes consecutivas pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, promotor das respectivas edições do Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira (2005, 2010 e 2013).

A discografia e as láureas comprovam que ele traz no peito raízes estreitas com as músicas regional e caipira, elo que se estreitou com a graduação em Zootecnia na cidade de Botucatu, encravada na região onde se localiza um dos berços da cultura caipira paulista. Botucatu é para quem não se recorda ou conhece terra lavrada por Angelino de Oliveira, que lá viveu e constituiu família, legando para a cultura nacional a legendária “Tristeza do Jeca”. Neste solo frutificou outra expressiva voz do universo de raiz, Osni Ribeiro, com quem Lacerda articula tabelinhas perfeitas.

Crédito: Marcelino Lima

Crédito: Marcelino Lima

Então vai ouvindo, vai ouvindo, pois até os gringos da revista “Rolling Stones” já elogiaram as composições de Cláudio Lacerda. No mesmo diapasão soaram críticas elogiosas de veículos como o “Estado de São Paulo”, “Estado de Minas” e “Correio Brasiliense”, jornais de circulação nacional e de público eclético. Os três álbuns merecem ser ouvidos sem pressa como sugere a dica de Aquiles Riques Reis, músico e vocalista do MPB4, para o qual se deve “deixar o tempo de lado, ao menos por alguns minutos” na hora de rodá-los na vitrola, curtindo sua voz forte e marcante, o seu macio e virtuoso toque nas cordas.

Por todas estas virtudes, o futuro quarto disco da carreira já nos imerge em curiosidades e expectativas. Cláudio Lacerda informou que já está debruçado em sua feitura e produção, mas prefere guardar comentários e revelações sobre quando o lançará e a temática que gravará, se manterá o perfil caipira, se trará contribuições sobre a preservação do meio-ambiente, ou se ecoará outros gêneros. Lacerda, já sabemos, é antenado no amplo sentido definido por Ezra Pound, e também admira compositores e cantores tais quais Tom Jobim e Rita Lee. Como também não é ruim de cabeça, tem interesses e cultua obras para além do universo regional, transita entre outras vertentes musicais das terras onde tem palmeiras e cantam aves de matizes diversas, do tico-tico que espalha fubá e o sabiá que perfura as laranjeiras ao cuitelinho da beira do porto; bom matuto sabedor que todos somos um tanto quanto macunaímas, pode extrair dos versos de Chico Buarque sotaques do interior, encontrar guardados de Caetano Veloso uma composição nascida à beira de um fogão de lenha cuja letra tenha o condão de nos conduzir às belezas dos grandes sertões e veredas, abrir uma porteira no Mato Grosso, animar uma roda de mate nos pampas.

Então, vai ouvindo, vai ouvindo, siga-nos, caboclo. E seja qual for a novidade que Cláudio Lacerda venha lavrando, uma bandeja bem servida do melhor café coado em pano, com direito a um bom naco de bolo de broa de milho e outras brevidades será posta à mesa, isto topo e aposto em qualquer parada!

*Marcelino Lima é jornalista e escreve no blog Barulho de Água Música sobre música caipira, de raiz, tradicional, regional e outros gêneros.


13 de julho é dia de ouvir rock na Rádio UOL
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No dia 13 de julho, comemora-se o Dia Mundial do Rock.

Do rockabilly ao metal extremo, do emo ao rock clássico e tudo o que existe no meio do caminho, a Rádio UOL tem playlists roqueiras para todos os gostos.

Confira um apanhado de tudo o que nós temos e monte sua trilha sonora.

DIA DO ROCK
Alguns anos atrás, convidamos ícones da música brasileira como Erasmo Carlos, Pitty, Frejat, Samuel Rosa, Marcelo Bonfá e outros para escolher as melhores canções para o dia mais rock and roll do ano. Ouça o que eles selecionaram e seus depoimentos.

CLÁSSICOS
Para quem curte o que foi feito de melhor nos anos dourados do rock and roll, temos playlists diversas, que vão do mais primitivo rock and roll dos anos 50 ao grunge da década de 90.

Sem deixar de lado, é claro, as seleções com os medalhões.  De pioneiros como Elvis Presley, Chuck Berry e Little Richard à explosão britânica da década de 60 com Rolling Stones, Paul McCartney e The Who, o folk rock de Bob Dylan e The Byrds, a surf music, as loucuras psicodélicas e os heróis da guitarra como Jimi Hendrix e Eric Clapton.

Para quem aprecia o rock da década de 70 também não faltam opções. Queen, David Bowie, Rod Stewart, os progressivos como Pink Floyd e Rush, o hard rock do Aerosmith e Kiss e até mesmo o soft rock de James Taylor e Cat Stevens estão todos bem representados.

Os anos 80 também não ficam para trás. A década dos ternos de ombreira e dos penteados new wave conta com uma das nossas playlists mais populares, que inclui de U2 e The Cure a Guns N' Roses e Bon Jovi, passando por Dire Straits, The Police e outros astros da época.

Há quem diga que os anos 90 foram  a última década clássica do rock and roll. Se isso é verdade, só o tempo dirá. Enquanto isso, relembre o melhor do grunge, com Nirvana, Pearl Jam e companhia, o pop punk do Offspring e Blink 182, o metal do Metallica e o britpop do Oasis.

SÉCULO 21
Os anos 2000 mantiveram o pique com os sons dançantes do Franz Ferdinand, o indie rock do Strokes e os refrões grudentos do Foo Fighters. E a década atual não deixa a desejar, com os grandes lançamentos que aparecem todas as semanas, tanto de artistas consagrados como das grandes promessas.

METAL
Todo mundo sabe que o metaleiro é o tipo mais devoto de roqueiro. Por este motivo sempre procuramos atender às diversas necessidades metálicas dos nossos ouvintes, com playlists que vão do heavy clássico de Black Sabbath, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Motörhead e Judas Priest, ao que existe de mais extremo no thrash, death e black metal, o metal melódico tudo o que existe no meio do caminho. Bote a cabeça para chacoalhar!

RADICAIS
Se você tem um gosto mais ousado, também temos playlists para você. Dos pais do punk e do rock alternativo como Lou Reed e o Velvet Underground e Iggy Pop & The Stooges, passando pela revolta do punk rock e hardcore, pela depressão pós-punk,  experimentalismos do indie clássico dos anos 80 e 90. Também temos a playlist Lado B do Rock, a favorita dos colecionadores com grandes lendas obscuras de todas as eras.

ROCK NACIONAL
E o Brasil não poderia ficar de lado. A playlist dedicada aos nossos roqueiros locais tem os grandes nomes dos anos 80, como Legião Urbana, RPM, Capital Inicial e Paralamas do Sucesso, os anos 90, como Chico Science, Raimundos, Charlie Brown Jr e Los Hermanos, a geração 2000 de Pitty e NX Zero e as novidades que vão aparecendo.

Isso sem falar nos professores de todo este pessoal, como Rita Lee, Arnaldo Baptista e seus Mutantes, nosso amigo Erasmo Carlos e a turma da Jovem Guarda e o maluco beleza Raul Seixas.

Quem aprecia uma pauleira tupiniquim vai se deliciar com as playlists dedicadas ao metal nacional, com nomes como  Sepultura, Angra e Krisiun e ao nosso punk rock, com clássicos dos Ratos de Porão, Olho Seco, Inocentes, Cólera e muito mais.

Bom Dia do Rock!


Cantor Arnôh convida os ouvintes da Rádio UOL para seu show
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Rádio UOL

O cantor e compositor Arnôh gravou esse vídeo para convidar os ouvintes da Rádio UOL para sua apresentação no SESC Vila Mariana no dia 18 de julho às 20h.

A influência de Cazuza é clara no trabalho musical de Arnôh, que você pode ouvir clicando AQUI.

Serviço: Arnôh
Onde: SESC Vila Mariana, Rua Pelotas, 141
Quando: 18 de julho, às 20h
Quanto: R$16 inteira, R$8 meia