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Edvaldo Santana: 40 anos na contramão e dizendo não ao ouro dos tolos
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Crédito: Marcelino Lima

Crédito: Marcelino Lima

Marcelino Lima
Colaboração para o UOL

Edvaldo Santana está chegando a 40 anos de carreira e embora neste tempo já tenha gravado inúmeros sucessos deixa a impressão que ainda canta e toca com a mesma disposição, alegria, contundência, irreverência e, no caso particularíssimo dele, simpatia de quem estaria empunhando o microfone e um violão pela primeira vez, estreando nos palcos disposto a conquistar cada pessoa da plateia. Se a frase “quanto mais velho o vinho…” para ele se encaixa, a obra de sete discos deste bardo filhos de nordestinos que baixou lá em São Miguel Paulista e neste lendário, efervescente e mágico bairro-cidade da Zona Leste (ZL) paulistana cresceu andando na contramão estabelece, ainda, outra constatação: quanto mais o cara amadurece, mais parece que se renova e, assim, e remoçando-se, deixa para o público que o cultua a marca perene de um trabalho que prima pela qualidade e pela verdade, pelo engajamento e pela inteligência crítica. Só alguém que desde pivete tem posicionamento, ideias, suingue, poética e um anjo da guarda barroco poderia colocar se serviço da cultura que é (do) contra o ouro dos tolos, dos que adoram jabaculês e paparicos do jet-set.

Senhora contribuição ao país, sim senhor, digna de ser objeto de teses de mestrado e receber espaços mais generosos em cadernos B, os quais normalmente se gabam de serem antenados e reverenciarem os “malditos”! Os xotes, baiões, sambas, raps, hip-hops, baladas ou blues urbanos-agrestes deste guerrilheiro retratam com fidelidade — portanto sem retoques, sem maneirismos ou manérismos –, por exemplo, a periferia dos grandes centros e seu povo mais para crioulo e caboclo do que para loiro. Gente que rala em vagões lotados de trens sucateados, joga bola e resolve o jogo, trampa de pedreiro (até morrer, se preciso for, ou não tiver jeito), desvia de foguetes e de balas atiradas a esmo, corre dos gambés, suporta todo tipo de opressão andando de lado e fingindo-se de morto e, quando não tem a sorte de sair da linha de tiro, sequer uma testemunha ou caixão consegue; revelam manos de carne, dente, osso e unha — aliás, com mais osso do que carne, com dentes e unhas de menos –, mas que no dia a dia insistem em seguir avante, sorrindo, banguelas, fazendo churrasco na laje, descolando uma mina nova, tomando uns tragos aqui e acolá por que ninguém é de ferro — e nem sempre o santo ajuda!  E vamos arrematando um novo cordel, rimando caldo de cana com um pastel de japonês: afinal, quem é que não quer ser feliz ou não merece um copo de vermute?

Como se não bastasse a bandeira empunhada em defesa desta massa, a música de Edvaldo Santana é antipanfletária e anti(pros)elitista, não troca passes com chavões banais. “Jataí'', por exemplo, é um mapa das riquezas do Brasil e dos seus vários tipos humanos, do Oiapoque ao Piauí. Este blog por todas estas características já escreveu sobre ele mais de uma vez, em todas deixando claro que no nosso barco ES navegará sempre na proa — e na janelinha! O tiozinho que saiu de sua cadeira e pediu humildemente para a plateia reverenciar e aplaudir o “Lobo Solitário” antes mesmo dos acordes finais da música de despedida que Edvaldo Santana e sua banda* executavam no domingo, 24 de agosto, no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo -– e, não contente, subiu no palco para cumprimentá-lo com a música ainda em andamento –, é um dos admiradores que sabem: o cantor e compositor merece que por ele tiremos o chapéu!

Crédito: Marcelino Lima

Crédito: Marcelino Lima

Durante a maior parte da apresentação, Edvaldo Santana, aliás, usava óculos de lentes escuras. Tirou-os apenas na hora de pegar um papel para ler nomes das pessoas as quais deveria agradecer, do técnico de som ao responsável pela Sala Adoniran Barbosa. Alguém poderia até pensar que o adereço das lentes seria um disfarce de alguém supostamente marrento, quem sabe parte da fantasia de uma mera personagem. Mas como poderia ser esnobe ou entrar em cena mascarado um camarada que é o que é, e estando no centro das atenções no calor daquele momento, despiu-se do papel de astro e brincou o tempo todo com quem o curtia, contou sem delongas ou autocensura de onde veio e alguns hábitos, várias vezes bateu as palmas para seus músicos, ergueu-as para os céus agradecendo aos parceiros de estrada que com ele contribuíram nestas quatro décadas — entre os quais Paulo Leminski, Itamar Assumpção, Ademir Assunção e Luiz Waack?

“Estes caras e muitos outros que já passaram para outro plano ou ainda estão por aqui sempre me ajudaram muito, foram me moldando, me deram conselhos fundamentais no começo da minha carreira, me orientaram direitinho e muitas vezes com sua sabedoria até me recomendaram segurar um pouco minha onda”, disse Edvaldo Santana. Ele pediu aplausos para um destes mestres, o poeta-samurai polaco-curitibano que não discutia com o destino. E não se esqueceu de jogar uma rosa também para “seu Valdemar”, amigo da ZL cuja especialidade é podar flores e livrar-se adequadamente dos espinhos para não furar dedo de menininhos. Com estas palavras, Edvaldo Santana revelou que a gratidão é outra de suas marcas. Eis, portanto, mais que um artista, um homem elegante que nos descarrega do peso de algumas dores. Se você trombar com ele por ai, diga que mandamos um forte abraço e que estamos indo pela mesma trilha!

*A banda de Edvaldo Santana no show do Centro Cultural Vergueiro estava formada por Luís Waack (guitarras), Reinaldo Garcia (percussão), Bira de Castro (contrabaixo) e Bira de Castro o Leandro Paccanegla (bateria)

Marcelino Lima é jornalista e escreve no blog Barulho de Água Música sobre música caipira, de raiz, tradicional, regional e outros gêneros.


15 grandes sucessos que completam 15 anos
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1999b

Relembrar é viver! Para os nostálgicos de plantão, a Rádio UOL preparou uma lista com 15 saudosos hits que marcaram a vida de todos nós 15 anos atrás. Está pronto para uma viagem no tempo? Então prepare-se para se sentir velho!

As Meninas – “Xibom Bombom”
Em um axé com consciência política e à frente de seu tempo, As Meninas fizeram uma forte crítica à sociedade contemporânea em “Xibom Bombom”.

Ricky Martin – “Livin’ La Vida Loca”
Marcada pelo ritmo quente do galã latino Ricky Martin, “Livin’ La Vida Loca” fez muita gente rebolar até o chão desde os anos 90. Muito antes de MC Rodolfinho, Ricky Martin já mostrava as vantagens de se viver uma vida louca.

Mauricio Manieri – “Minha Menina”
Um dos maiores hits românticos da década de 90 que embalou muitos amassos no banco traseiro dos automóveis da época.

P.O.Box – “Papo de Jacaré”
Clássico que incentivou muitas pessoas a estudar idiomas estrangeiros, “Papo de Jacaré” é uma grande brincadeira com quem não sabia falar inglês.

Charlie Brown Jr – “Te Levar Daqui”
Até as gerações mais novas já ouviram várias vezes o hino da novela adolescente “Malhação”, afinal “Te Levar Daqui” foi o tema da série por muitos anos.

Claudinho & Buchecha – “Xereta”
Com um genial sample do hit “Super Freak” de Rick James, a carismática dupla Claudinho & Buchecha fez todo mundo dançar com “Xereta”.

Raimundos – “Mulher de Fases”
Grande campeã das rodinhas de violão, “Mulher de Fases” está há duas décadas animando festas e sendo citada em descrições de perfis de redes sociais: “Complicada e perfeitinha”.

Pepê e Neném – “Mania de Você”
Uma das músicas mais tocadas nas rádios da época, “Mania de Você” fez Pepê e Neném serem figurinhas carimbadas nos programas de auditório.

Zezé Di Camargo & Luciano – “Pare”
“PARE!'' Essa música escalou as paradas dos anos 90 e fez todo mundo parar o que estava fazendo para cantar junto.

Britney Spears – “Baby One More Time”
Britney Spears conquistou todos os adolescentes vestida de colegial e deixou de ser apenas a namoradinha dos americanos para habitar o imaginário dos brasileiros também.

Christina Aguilera – “Genie In A Bottle”
Em uma canção com letra sugestiva, a musa Christina Aguilera pedia para ser esfregada do jeito certo. E de pensar que as garotas da época cantavam isso sem saber o que significava…

Backstreet Boys – “I Want It That Way”
O One Direction dos anos 90 arrancava suspiros das moçoilas ao som de grandes hits como “I Want It That Way”

Jennifer Lopez – “Waiting For Tonight”
Um dos grandes hits gays da década de 1990, “Waiting For Tonight” embalou muitas saídas do armário nas noites.

Caetano Veloso – “Sozinho”
Um dos maiores sucessos românticos da MPB, “Sozinho” é uma canção do compositor Peninha, gravada pelo mestre Caetano Veloso para embalar muitas madrugadas de auto amor.

Lou Bega – “Mambo Nº5″
O cantor Lou Bega emplacou apenas um hit, mas foi tocado dia e noite em todas as rádios do mundo por muitos anos e até hoje abrilhanta o final de festas de casamento.


“O racismo no nosso país ainda existe, é altamente perceptível”, diz Dexter
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O rapper Dexter em show. Crédito: Divulgação

O rapper Dexter em show. Crédito: Divulgação

Babu Baía e André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

A liberdade não tem preço, de fato. Após 13 anos no “exílio”, como Dexter diz, o rapper voltou renovado e está com novos projetos para agitar o cenário do rap nacional. “O rap tem que ser reconhecido como música, o meu DVD tem essa linguagem agora, trazendo outros estilos para dentro”, disse Dexter ao UOL.

Com participação de grandes artistas como Péricles, Guilherme Arantes, Paula Lima, Mano Brown, Pinha, Dj KL Jay, Edi Rock, DJ Cia, Ao Cubo, DJ Hum, Katinguelê, Thaíde, Juninho do Banjo e Terra Preta, o DVD “Dexter e Convidados – A Liberdade Não Tem Preço” será lançado em 30 de agosto, e no dia seguinte, um show reúne essas feras da música no Carioca Club de Interlagos.

Confira a faixa “A Liberdade Não Tem Preço'', cantada por Dexter em parceria com Edi Rock:

 
Dexter se emociona ao falar sobre seu som. “Eu vivo o rap, eu vivo a música, eu vivo tudo isso 24 horas por dia. Até quando estou dormindo, eu sonho com o palco. É uma coisa que eu amo fazer, é minha profissão, foi o que me tirou do crime”, conta o rapper, que usa as batidas para melhorar a vida das pessoas.

“O rap é denúncia, o rap é contestação, pelo menos essa é a cartilha que me foi entregue nos anos 90. O rap é mudança”, defende Dexter. “Quanto mais eu puder influenciar as pessoas com a minha música para que elas sejam elos dessa corrente da mudança, eu vou fazer, porque eu acredito que as pessoas precisam mudar a direção de suas vidas e do país”, completa.

Para ele, a discriminação étnica ainda é um traço latente no Brasil. “O racismo no nosso país ainda existe, é altamente perceptível nos canais de TV, nas capas de revista, nas faculdades. Nosso povo ainda não consegue entrar em certos lugares”, afirma ele, que escreve suas letras baseado na realidade. “Esse é o sentido de fazer uma música chamada rap, que além de ser “ritmo e poesia”, pra mim é revolução através das palavras”.

É com esse pensamento que ele segue em frente fazendo sua música, tentando amparar os oprimidos. “Enquanto houver alguém sem voz e precisando que alguém lute por ele, o rap vai fazer isso. O rap é a voz dos excluídos. Enquanto houver essas situações, o rap sempre vai existir”, acrescenta.

Por estar em liberdade condicional, o rapper ainda não pode votar nessas eleições, mas conta o que faria se fosse eleito presidente da República hoje: “Eu não construiria mais cadeias, muito pelo contrário, eu derrubaria todas elas. O fator principal de uma nação é a educação, então eu construiria escolas”.

Muito ainda tem de ser feito nas penitenciárias brasileiras, segundo ele. “Não existe uma politica de ressocialização e reinserção no sistema carcerário. O que se faz é jogar essa pessoa lá dentro e esquecê-la. O sistema nos transforma em um número. Esse cara vai voltar revoltado também e amanhã não adianta reclamar”, lamenta.

“Temos que fazer alguma coisa. O olhar tem que estar virado lá para dentro também. É possível a recuperação dessas pessoas. É possível retornar essas pessoas com outro pensamento pra sociedade. Eu sou a prova viva disso”, conclui Dexter.

A fanpage oficial de Dexter é essa aqui, para quem quiser curtir o som do rapper!

Serviço: Show do DVD Dexter e Convidados – A Liberdade não tem preço
Quando: 31 de agosto, às 17h
Onde: Carioca Club Interlagos – Av. Atlântica, 3797 – Interlagos
Quanto: R$25

 


Léa Freire convida ouvintes da Rádio UOL para show com Amilton Godoy
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A flautista e compositora Léa Freire está convidando todos os ouvintes da Rádio UOL para prestigiar o show que será realizado em parceria com o brilhante pianista Amilton Godoy, que fez parte do lendário Zimbo Trio, grupo que já gravou 51 discos.

O resultado dessa grande parceria é o álbum “Amilton Godoy e a Música de Léa Freire'', que você ouve na Rádio UOL clicando aqui.

Serviço: Amilton Godoy e Léa Freire
Quando: segunda, 1 de setembro, às 21h
Onde: Espaço Cachuera – Rua Monte Alegre, 1094 – Perdizes
Quanto: R$30 inteira; R$15 meia


30, 31 ou 32 anos? O Mistério de Paula Fernandes
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Paula Fernandes A princesa sertaneja Paula Fernandes está completando 30 anos nesta quinta-feira, 28 de agosto. Pelo menos é o que diz a Wikipedia, o o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira  e a maioria das fontes na web, segundo as quais ela teria nascido no dia 28 de agosto de 1984.

Para outros sites, ela teria nascido um, ou até dois anos antes. O caso lembra o aniversário do cantor Jorge Ben Jor de 2012. Enquanto diversas fontes apontavam que ele estaria fazendo 70 anos, os canais oficiais do cantor diziam serem 67.

O blog da Rádio UOL investigou.

OUÇA PAULA FERNANDES NA RÁDIO UOL

O Clube do Rei por exemplo, dá 1983 como o ano de nascimento de Paula Fernandes, assim como outros sites e blogs. Já uma nota de um portal sobre seu aniversário de 2013 diz que ela estaria fazendo 31 anos. Ou seja, teria nascido em 1982.

Até aí, todos podem estar enganados ou mal intencionados. Mas no site oficial da cantora, que não diz a data de nascimento da cantora, oferece um dado interessante que passa despercebido ao dizer na sessão “biografia'' que
Aos 10 anos, lançou o primeiro disco independente, “Paula Fernandes”.

Segundo a Wikipedia e o Dicionário Cravo Albin, para citar apenas duas fontes, o trabalho foi lançado em 1993.
Ou seja, ela teria que ter nascido em 1982 ou 83.

E estaria portanto, completando 31 ou 32 anos nesta quinta-feira. No fundo, não faz diferença nenhuma.
O verdadeiro enigma é: por que alguém tão jovem estaria escondendo a idade. Mas não tiremos conclusões apressadas. talvez tudo isso não passe de um engano.

E o leitor que acha desse mistério? Quantos anos você dá a Paula Fernandes?


“Música boa tem que ser cantada”, afirma revelação do pagode
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Com 16 anos de estrada e músicas gravadas por artistas como Péricles, Lecy Brandão e Art Popular, o grupo Fonte de Sedução é a revelação do pagode paulistano. “Começou em 1997 com uma reunião de amigos antigos que gostavam de dançar, sair e bailar. Na época, o Katinguelê estava em ascensão. Vimos uma oportunidade e pensamos em montar um grupo também”, disse Jackson Fonte ao UOL.

“Tudo começou assim. Foi meio que uma brincadeira séria que virou o que é o Fonte de Sedução hoje”, relembra ele. “Eu iniciei no pagode porque achava um barato, pelos amigos, por causa de mulher. Com o tempo foi virando profissão viver da música. Mas no início a rapaziada acha que é auê”, conta Thiago Dias, um dos vocalistas do grupo. “Mas não é assim. Viver de música é difícil”, completa.

“Quando eu digo que sou músico, as pessoas perguntam se eu não trabalho. Elas não levam a sério, mas é uma profissão, independente do estilo”, afirma Jackson. O nome do grupo chama a atenção, e ele conta que foi retirado de uma música que ouviu de um conjunto de pagode em um festival.

Assim como o Fonte de Sedução, outros grandes nomes do gênero vieram de títulos de músicas, como Katinguelê e Só Pra Contrariar, que são inspirados em faixas do Fundo de Quintal. “Abraçamos o nome e estamos há 16 anos com ele”, reflete Jackson. O Fonte é formado, além de Jackson e Thiago, por Rodrigo Lira (compositor e produtor) e Rodrigo Paulo (cantor).

OUÇA FONTE DE SEDUÇÃO NA RÁDIO UOL

Em 2012, o grupo participou do concurso Exposamba e chegou às finais. Não ganhou o prêmio, mas conquistou a admiração de Lecy Brandão, que gravou uma de suas músicas. Recentemente, o Fonte de Sedução se sagrou campeão em um festival de jovens talentos e recebeu o direito de gravar uma música com Thiaguinho, e com participação de Péricles. Não tiveram dúvida e elegeram a canção que vem abrindo portas para eles há dois anos.

“A “Minha Fé” é um papo de um músico com Deus. Não vai ter um que não vai se identificar com ela. Essa é a música da nossa vida. Está mudando a vida do Fonte de Sedução” conta Jackson, e se emociona ao falar.

Agora o conjunto quer crescer cada vez mais no cenário do gênero. “O pagode está numa crescente. O funk tomou bastante nosso espaço, e o sertanejo também. Mas o pagode está muito bem e a gente acha que tem muito pra melhorar”, acredita Thiago. “Tem muito artista bom, o que falta é oportunidade”, acrescenta.

“No pagode, ainda falta a união, como tem o sertanejo”, analisa Jackson. “No sertanejo, você vê os grandes trazendo artistas menos conhecidos e assim saem os talentos. Música boa tem que ser cantada, independente do artista ser conhecido. No pagode tem muita vaidade, e isso precisa ser quebrado'', conclui.

André Cáceres
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Confira com exclusividade o clipe da banda Hai Kai gravado no Canadá
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André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

Três irmãs que começaram a gostar de música muito jovens conheceram na escola um rapaz que se interessava pelo assunto e assim surgiu a banda Hai Kai, no ano 2000 em Sorocaba. “Foi bem coisa de filme mesmo”, contou a vocalista Tetê Braga ao UOL.

Diretamente de Sorocaba, no interior do estado de São Paulo, as irmãs Tetê, Cacau e Renata Braga com o guitarrista e produtor musical Lucas Iessi se inspiram nos clássicos de Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd para agitar o cenário roqueiro da região.

“Na época, tinha um movimento muito forte de bandas em Sorocaba, e as rádios ajudavam tocando até músicas autorais”, rememora Tetê, que tem Janis Joplin como referência para soltar a voz em suas canções. A cantora foi uma inspiração para os covers do início da banda. Com a fase autoral, no entanto, a Hai Kai passou a enfrentar as dificuldades de mostrar seu trabalho.

“Geralmente as bandas começam com covers. Quando vão para as músicas próprias, o que é uma evolução, é difícil conseguir espaço. Os bares estão muito fechados para esse estilo”, lamenta Tetê Braga. “Mas o rock nunca morre, e agora está voltando a ter um cenário bom”.

A prova disso é o clipe da faixa “No Seu Jardim”, homônima ao disco, que foi gravado durante uma turnê da Hai Kai no Canadá, onde fizeram mais de vinte shows em escolas. “Tudo foi filmado com um iPhone. Ainda pretendemos fazer um documentário sobre essa turnê”.

O nome da banda também tem um significado especial. “Hai Kais são os menor tipo de poema que existe. E nós dizemos muito com poucas palavras. Na música, temos que fazer as pessoas imaginarem o resto. Gostamos de fazer letras poéticas”, afirma a vocalista. “As letras falam do cotidiano, do que acontece no dia a dia que ninguém percebe”.


Último disco solo de Renato Russo explorou temática gay e música italiana
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EquilibrioDistante

A última obra solo em vida do mestre do rock nacional Renato Russo foi o disco solo “Equilíbrio Distante”, lançado em 1995, um ano antes de sua morte. O líder da Legião Urbana honrou as raízes italianas de sua ascendência e gravou o disco inteiro no país em forma de bota, na língua local.

Apesar de contar apenas com regravações de compositores italianos, o álbum retrata muito bem a fase pela qual passava o cantor. Pode-se concluir que “Equilíbrio Distante” trata de temas como a AIDS, na faixa “La Forza Della Vita”, de Paolo Vallesi e a homossexualidade em “Strani Amore”, de Laura Pausini.

A primeira fez parte da trilha sonora da novela “Rei do Gado”, enquanto a outra deu origem ao último clipe de Renato Russo, que você confere aqui:

 


“Equilíbrio Distante” também trata das relações familiares, e isso fica explícito na capa do CD. A arte exibe desenhos infantis feitos pelo filho de Renato, Giuliano Manfredini, retratando o Maracanã, o Pão de Açúcar, o Coliseu e a Torre de Pisa, evidenciando também a relação entre Brasil e Itália.

A ausência de sotaque do cantor foi elogiada e “Equilíbrio Distante” fez muito sucesso na época, sucedendo o primeiro trabalho solo de Renato, “The Stonewall Celebration Concert” e antecedendo o disco póstumo “O Último Solo”. O álbum invadiu as rádios e marcou o ápice da fase romântica e melancólica do músico que marcou toda uma geração de fãs.

OUÇA O ÁLBUM “EQUILÍBRIO DISTANTE'' DE RENATO RUSSO NA RÁDIO UOL

André Cáceres
Rádio UOL

 


30 anos do sax mais sexy de todos os tempos
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careless1Nesta segunda-feira (18) a linha de saxofone mais romântica de todos os tempos completa 30 primaveras. Estamos falando do clássico “Careless Whisper'', de George Michael. Ou, mais precisamente, da dupla Wham!, da qual o cantor fazia parte no início da carreira.

OUÇA “CARELESS WHISPER'' NA RÁDIO UOL

Trilha-sonora de incontáveis filmes, novelas e comerciais,  se tornou sinônimo de sedução e romantismo, em grande parte por causa da introdução inesquecível.

Mas se todo mundo sabe assobiar a canção, pouca gente sabe o que há por trás dela. Pensando nisso, listamos alguns fatos sobre “Careless Whisper''.

1-É o único single do Wham! que George Michael escreveu em parceria com Andrew Ridgley, o outro integrante da dupla. Paradoxalmente, a música foi a primeira a sair como “Wham! Incluindo George Michael'' e pouco depois como um single solo do cantor.
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2-Os dois compuseram a canção em 1981, três anos antes do lançamento, quando George trabalhava como lanterninha num cinema. Segundo ele, a parte emblemática do saxofone foi feita mentalmente no ônibus a caminho de casa.

3-Uma primeira versão foi gravada em 1983 pelo lendário produtor Jerry Wexler. Fundador da Atlantic Records, inventor do termo “Rhythm & Blues'' e um dos responsáveis por deslanchar as carreiras de nomes que vão de Ray Charles e Aretha Franklin a Led Zeppelin e Dire Straits, Wexler não conseguiu agradar o exigente George Michael. Produzida pelo próprio cantor, a versão final chegou ao primeiro lugar em 25 países.

4-George Michael não é muito fã de “Careless Whisper''. Segundo ele, “é decepcionante que você pode escrever uma letra sem nenhuma seriedade – e não particularmente boa – e ela pode significar tanto para tanta gente. Isso desilude o compositor“.

5-Os lábios por trás da melodia inesquecível pertencem ao saxofonista britânico Steve Gregory, que também gravou o clássico “Honky Tonk Woman'', dos Rolling Stones e tocou ao lado de grandes nomes como Fleetwood Mac, Fela Kuti, Queen e Georgie Fame.

ENTRE EM CLIMA DE SEDUÇÃO COM A PLAYLIST “PARA OUVIR A DOIS''


Wilson Teixeira mescla poesia urbana à moda caipira
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Natrural de Avaré (SP), Wilson Teixeira está produzindo novo disco, o segundo independente, após "Almanaque Rural! Crédito: Marcelino Lima

Natural de Avaré (SP), Wilson Teixeira está produzindo novo disco, o segundo independente, após “Almanaque Rural!
Crédito: Elisa Espíndola

Marcelino Lima
Colaboração para o UOL*

O cantor e compositor Wilson Teixeira fará neste mês de agosto quatro apresentações no SESC de Bertioga, todas a partir das 21h30. A primeira ocorreu nos dias 5,  e as demais serão nos dias 12, 19 e 30, sendo que na última, cantará com “As Galvão”, dupla de sucesso do cancioneiro de raiz. O violeiro já é bastante conhecido pelo público da entidade, pois são frequentes os convites para que se apresente tanto naquele espaço à beira mar, quanto em palcos das demais unidades paulistas. Autor do álbum independente “Almanaque Rural”, de 2007, Wilson Teixeira nasceu em Avaré (SP), mas reside em São Paulo. Por onde passa, entretanto, pavimenta uma das promissoras e proeminentes carreiras entre os novos talentos que se dedicam à viola caipira de dez cordas. Em suas composições, poesia e melodia comungam com elementos das mais genuínas tradições brasileiras, mesclando o caipira e o urbano em arranjos que passeiam entre a toada e o folk e por vários outros ritmos.

Esta qualidade misturada ao seu carisma pessoal e à excelência  em várias técnicas de afinação do instrumento, invariavelmente, são chamarizes para atrair e formar as plateias que prestigiam seus shows, os quais sempre rendem lotações significativas. Wilson Teixeira já conta seguidores fiéis em diversas cidades paulistas e de outros estados, soma mais de 1.300 amigos em seu fã clube virtual, e a cada cantoria desperta novos admiradores. São pessoas de todas as idades que trata com atenção e respeito, sempre se disponibilizando para uma foto, um autógrafo, uma prosa, um café.

A crítica também já se deu conta do talento dele e acolheu com elogios o primeiro disco. “Almanaque Rural” foi pré-selecionado para o Prêmio TIM de Música, em 2009. Agradou, ainda, os jurados do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira, então, recebeu a estatueta relativa à categoria “Disco Solo” em junho de 2013, no Memorial da América Latina (SP). A noite gala teve direito a show de Almir Sater e contou com a presença da rainha Inezita Barroso.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu em participação no programa em tributo a Cascatinha e Inhana, no Sr. Brasil Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira e Sarah Abreu em participação no programa em tributo a Cascatinha e Inhana, no Sr. Brasil
Crédito: Marcelino Lima

O sucesso do álbum também abriu as portas de outras casas e teatros de renome além do SESC. Em 29 de abril, ele foi uma das atrações da Festa Folk + Brasil promovida pelo Bourbon Street (SP), ocasião em que se apresentou ao lado de Renato Teixeira e do filho do autor de “Romaria”, Chico Teixeira. Lá estiveram, ainda, entre outros amigos de estrada, Tuia Lencioni, Jonavo, Bezão e Walter Bini. A Secretaria de Estado da Cultura o selecionou para as Viradas Culturais Paulistas do Interior de 2012 e 2014, realizadas, respectivamente, em Indaiatuba e em Americana. Em setembro de 2011, apresentou-se com o Ivan Vilela no projeto “Violas Paulistas”, do SESC Pompeia. Bertioga o recebeu em março de 2013 para o show “Tributo a Tonico & Tinoco”. Em junho deste ano, antecedeu a apresentação de Geraldo Azevedo no arraial do Esporte Clube Pinheiros.

Apresentadores de televisão baluartes da cultura popular e de atividades do meio rural já o levaram repetidas vezes para diante das câmeras. Entre eles destacam-se o “Sr.Brasil” Rolando Boldrin (TV Cultura), e Tavinho Ceschi, comandante do “Dia Dia Rural”, noticioso de agronegócios que faz parte da grade do canal Terra Nossa, vinculado ao Grupo Bandeirantes.  Em 13 de julho, Wilson Teixeira tocou e cantou para os seguidores do programa “Terra da Padroeira”, da TV Aparecida; ainda pela TV Cultura, participou do “Mosaico Especial João Pacífico”. Pela Rede Vida, o avareense fez “Vida Melhor”, e pela Canção Nova, “Papo Aberto com Gabriel Chalita”.

Sobre as idas ao “Sr. Brasil” vale a pena comentar: em duas ocasiões Wilson Teixeira visitou Boldrin acompanhado por parceiros de outros projetos dos quais participa, paralelos à carreira solo. Em maio, ao lado de Sarah Abreu, emocionou a plateia relembrando sucessos da dupla Cascatinha e Inhana. A gravação ainda não foi transmitida e, portanto, segue inédita. Já em outubro de 2013, a TV Cultura exibiu a passagem do grupo “4 Cantos” pelo acalentado palco onde Boldrin realça artistas consagrados e dá impulso para que inúmeros novatos conquistem um lugar ao sol. O vídeo com as imagens nas quais toca “Trem de Verão”, dele e Adílson Casado, no qual aparece acompanhado pelos demais integrantes do quarteto — Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Rodrigo Zanc (São Carlos-Araraquara/SP) — desde então vem sendo bastante visualizado pelos internautas.

Wilson Teixeira (de xadrez), os parceiros Rodrigo Zanc, Claudio Lacerda e Luiz Salgado, do 4 Cantos, com Rolando Boldrin. Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira (de xadrez), os parceiros Rodrigo Zanc, Claudio Lacerda e Luiz Salgado, do 4 Cantos, com Rolando Boldrin.
Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira também inclui clássicos de raiz e regionais nos repertórios que monta. Assim, brinda os ouvintes, por exemplo, com preciosidades de Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, e da dupla “Coração do Brasil” — os irmãos Tonico e Tinoco, para os quais formatou outro projeto exclusivo. A obra das “Irmãs Galvão”, que estarão com ele em Bertioga neste mês, também são constantemente visitadas. Outra referência para Wilson Teixeira é o amigo Cláudio Lacerda, autor de “Canta que é bonito'', que estará em seu segundo CD. O novo trabalho já vem sendo confeccionado e deverá conter, ainda, músicas defendidas em inúmeros festivais pelo país, entre os quais o certame de Tatuí realizado em 2011. Naquele ano, Wilson Teixeira se sagrou campeão e recebeu o prêmio de melhor intérprete com “No último pé do pomar”.

Para saber mais sobre e fazer contatos com Wilson Teixeira visite o site, o canal , o twitter e a página. Há informações disponíveis, ainda, no blog Loira Dobem.

*Marcelino Lima é jornalista e escreve no blog Barulho de Água Música sobre música caipira, de raiz, tradicional, regional e outros gêneros