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Último disco solo de Renato Russo explorou temática gay e música italiana
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EquilibrioDistante

A última obra solo em vida do mestre do rock nacional Renato Russo foi o disco solo “Equilíbrio Distante”, lançado em 1995, um ano antes de sua morte. O líder da Legião Urbana honrou as raízes italianas de sua ascendência e gravou o disco inteiro no país em forma de bota, na língua local.

Apesar de contar apenas com regravações de compositores italianos, o álbum retrata muito bem a fase pela qual passava o cantor. Pode-se concluir que “Equilíbrio Distante” trata de temas como a AIDS, na faixa “La Forza Della Vita”, de Paolo Vallesi e a homossexualidade em “Strani Amore”, de Laura Pausini.

A primeira fez parte da trilha sonora da novela “Rei do Gado”, enquanto a outra deu origem ao último clipe de Renato Russo, que você confere aqui:

 


“Equilíbrio Distante” também trata das relações familiares, e isso fica explícito na capa do CD. A arte exibe desenhos infantis feitos pelo filho de Renato, Giuliano Manfredini, retratando o Maracanã, o Pão de Açúcar, o Coliseu e a Torre de Pisa, evidenciando também a relação entre Brasil e Itália.

A ausência de sotaque do cantor foi elogiada e “Equilíbrio Distante” fez muito sucesso na época, sucedendo o primeiro trabalho solo de Renato, “The Stonewall Celebration Concert” e antecedendo o disco póstumo “O Último Solo”. O álbum invadiu as rádios e marcou o ápice da fase romântica e melancólica do músico que marcou toda uma geração de fãs.

OUÇA O ÁLBUM “EQUILÍBRIO DISTANTE'' DE RENATO RUSSO NA RÁDIO UOL

André Cáceres
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30 anos do sax mais sexy de todos os tempos
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careless1Nesta segunda-feira (18) a linha de saxofone mais romântica de todos os tempos completa 30 primaveras. Estamos falando do clássico “Careless Whisper'', de George Michael. Ou, mais precisamente, da dupla Wham!, da qual o cantor fazia parte no início da carreira.

OUÇA “CARELESS WHISPER'' NA RÁDIO UOL

Trilha-sonora de incontáveis filmes, novelas e comerciais,  se tornou sinônimo de sedução e romantismo, em grande parte por causa da introdução inesquecível.

Mas se todo mundo sabe assobiar a canção, pouca gente sabe o que há por trás dela. Pensando nisso, listamos alguns fatos sobre “Careless Whisper''.

1-É o único single do Wham! que George Michael escreveu em parceria com Andrew Ridgley, o outro integrante da dupla. Paradoxalmente, a música foi a primeira a sair como “Wham! Incluindo George Michael'' e pouco depois como um single solo do cantor.
Careless2
2-Os dois compuseram a canção em 1981, três anos antes do lançamento, quando George trabalhava como lanterninha num cinema. Segundo ele, a parte emblemática do saxofone foi feita mentalmente no ônibus a caminho de casa.

3-Uma primeira versão foi gravada em 1983 pelo lendário produtor Jerry Wexler. Fundador da Atlantic Records, inventor do termo “Rhythm & Blues'' e um dos responsáveis por deslanchar as carreiras de nomes que vão de Ray Charles e Aretha Franklin a Led Zeppelin e Dire Straits, Wexler não conseguiu agradar o exigente George Michael. Produzida pelo próprio cantor, a versão final chegou ao primeiro lugar em 25 países.

4-George Michael não é muito fã de “Careless Whisper''. Segundo ele, “é decepcionante que você pode escrever uma letra sem nenhuma seriedade – e não particularmente boa – e ela pode significar tanto para tanta gente. Isso desilude o compositor“.

5-Os lábios por trás da melodia inesquecível pertencem ao saxofonista britânico Steve Gregory, que também gravou o clássico “Honky Tonk Woman'', dos Rolling Stones e tocou ao lado de grandes nomes como Fleetwood Mac, Fela Kuti, Queen e Georgie Fame.

ENTRE EM CLIMA DE SEDUÇÃO COM A PLAYLIST “PARA OUVIR A DOIS''


Wilson Teixeira mescla poesia urbana à moda caipira
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Natrural de Avaré (SP), Wilson Teixeira está produzindo novo disco, o segundo independente, após "Almanaque Rural! Crédito: Marcelino Lima

Natural de Avaré (SP), Wilson Teixeira está produzindo novo disco, o segundo independente, após “Almanaque Rural!
Crédito: Elisa Espíndola

Marcelino Lima
Colaboração para o UOL*

O cantor e compositor Wilson Teixeira fará neste mês de agosto quatro apresentações no SESC de Bertioga, todas a partir das 21h30. A primeira ocorreu nos dias 5,  e as demais serão nos dias 12, 19 e 30, sendo que na última, cantará com “As Galvão”, dupla de sucesso do cancioneiro de raiz. O violeiro já é bastante conhecido pelo público da entidade, pois são frequentes os convites para que se apresente tanto naquele espaço à beira mar, quanto em palcos das demais unidades paulistas. Autor do álbum independente “Almanaque Rural”, de 2007, Wilson Teixeira nasceu em Avaré (SP), mas reside em São Paulo. Por onde passa, entretanto, pavimenta uma das promissoras e proeminentes carreiras entre os novos talentos que se dedicam à viola caipira de dez cordas. Em suas composições, poesia e melodia comungam com elementos das mais genuínas tradições brasileiras, mesclando o caipira e o urbano em arranjos que passeiam entre a toada e o folk e por vários outros ritmos.

Esta qualidade misturada ao seu carisma pessoal e à excelência  em várias técnicas de afinação do instrumento, invariavelmente, são chamarizes para atrair e formar as plateias que prestigiam seus shows, os quais sempre rendem lotações significativas. Wilson Teixeira já conta seguidores fiéis em diversas cidades paulistas e de outros estados, soma mais de 1.300 amigos em seu fã clube virtual, e a cada cantoria desperta novos admiradores. São pessoas de todas as idades que trata com atenção e respeito, sempre se disponibilizando para uma foto, um autógrafo, uma prosa, um café.

A crítica também já se deu conta do talento dele e acolheu com elogios o primeiro disco. “Almanaque Rural” foi pré-selecionado para o Prêmio TIM de Música, em 2009. Agradou, ainda, os jurados do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira, então, recebeu a estatueta relativa à categoria “Disco Solo” em junho de 2013, no Memorial da América Latina (SP). A noite gala teve direito a show de Almir Sater e contou com a presença da rainha Inezita Barroso.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu em participação no programa em tributo a Cascatinha e Inhana, no Sr. Brasil Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira e Sarah Abreu em participação no programa em tributo a Cascatinha e Inhana, no Sr. Brasil
Crédito: Marcelino Lima

O sucesso do álbum também abriu as portas de outras casas e teatros de renome além do SESC. Em 29 de abril, ele foi uma das atrações da Festa Folk + Brasil promovida pelo Bourbon Street (SP), ocasião em que se apresentou ao lado de Renato Teixeira e do filho do autor de “Romaria”, Chico Teixeira. Lá estiveram, ainda, entre outros amigos de estrada, Tuia Lencioni, Jonavo, Bezão e Walter Bini. A Secretaria de Estado da Cultura o selecionou para as Viradas Culturais Paulistas do Interior de 2012 e 2014, realizadas, respectivamente, em Indaiatuba e em Americana. Em setembro de 2011, apresentou-se com o Ivan Vilela no projeto “Violas Paulistas”, do SESC Pompeia. Bertioga o recebeu em março de 2013 para o show “Tributo a Tonico & Tinoco”. Em junho deste ano, antecedeu a apresentação de Geraldo Azevedo no arraial do Esporte Clube Pinheiros.

Apresentadores de televisão baluartes da cultura popular e de atividades do meio rural já o levaram repetidas vezes para diante das câmeras. Entre eles destacam-se o “Sr.Brasil” Rolando Boldrin (TV Cultura), e Tavinho Ceschi, comandante do “Dia Dia Rural”, noticioso de agronegócios que faz parte da grade do canal Terra Nossa, vinculado ao Grupo Bandeirantes.  Em 13 de julho, Wilson Teixeira tocou e cantou para os seguidores do programa “Terra da Padroeira”, da TV Aparecida; ainda pela TV Cultura, participou do “Mosaico Especial João Pacífico”. Pela Rede Vida, o avareense fez “Vida Melhor”, e pela Canção Nova, “Papo Aberto com Gabriel Chalita”.

Sobre as idas ao “Sr. Brasil” vale a pena comentar: em duas ocasiões Wilson Teixeira visitou Boldrin acompanhado por parceiros de outros projetos dos quais participa, paralelos à carreira solo. Em maio, ao lado de Sarah Abreu, emocionou a plateia relembrando sucessos da dupla Cascatinha e Inhana. A gravação ainda não foi transmitida e, portanto, segue inédita. Já em outubro de 2013, a TV Cultura exibiu a passagem do grupo “4 Cantos” pelo acalentado palco onde Boldrin realça artistas consagrados e dá impulso para que inúmeros novatos conquistem um lugar ao sol. O vídeo com as imagens nas quais toca “Trem de Verão”, dele e Adílson Casado, no qual aparece acompanhado pelos demais integrantes do quarteto — Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Rodrigo Zanc (São Carlos-Araraquara/SP) — desde então vem sendo bastante visualizado pelos internautas.

Wilson Teixeira (de xadrez), os parceiros Rodrigo Zanc, Claudio Lacerda e Luiz Salgado, do 4 Cantos, com Rolando Boldrin. Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira (de xadrez), os parceiros Rodrigo Zanc, Claudio Lacerda e Luiz Salgado, do 4 Cantos, com Rolando Boldrin.
Crédito: Marcelino Lima

Wilson Teixeira também inclui clássicos de raiz e regionais nos repertórios que monta. Assim, brinda os ouvintes, por exemplo, com preciosidades de Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, e da dupla “Coração do Brasil” — os irmãos Tonico e Tinoco, para os quais formatou outro projeto exclusivo. A obra das “Irmãs Galvão”, que estarão com ele em Bertioga neste mês, também são constantemente visitadas. Outra referência para Wilson Teixeira é o amigo Cláudio Lacerda, autor de “Canta que é bonito'', que estará em seu segundo CD. O novo trabalho já vem sendo confeccionado e deverá conter, ainda, músicas defendidas em inúmeros festivais pelo país, entre os quais o certame de Tatuí realizado em 2011. Naquele ano, Wilson Teixeira se sagrou campeão e recebeu o prêmio de melhor intérprete com “No último pé do pomar”.

Para saber mais sobre e fazer contatos com Wilson Teixeira visite o site, o canal , o twitter e a página. Há informações disponíveis, ainda, no blog Loira Dobem.

*Marcelino Lima é jornalista e escreve no blog Barulho de Água Música sobre música caipira, de raiz, tradicional, regional e outros gêneros


Butanclan: pista de skate leva esporte, cultura e música para comunidade
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Butanclan nos estúdios da Rádio UOL. Crédito da foto: Carlos Chimaque

Butanclan nos estúdios da Rádio UOL. Crédito da foto: Carlos Chimaque

André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

Se o esporte, a música e o lazer fazem diferença para uma pessoa, imagine como são importantes para uma comunidade inteira. Essa é a história de uma pista de skate que se transformou em um verdadeiro centro artístico e cultural: o Butanclan! Mas o que é isso?

“É um grupo de amigos”, responde, suscintamente Marcos “E.T.” Gelisk, membro e fundador do movimento. “Começou em 2003 com a inauguração da pista de skate do CEU Butantã. Eu e uns três éramos mais velhos, e tinha uma molecada que hoje em dia são adultos”, relembra E.T.

“O nome foi uma alusão ao grupo Wu-Tang Clan. Durante uma festa, houve uma brincadeira em que começaram a gritar ‘Aqui é Butanclan e não Wu-Tang Clan’”, explica o também fundador Ricardo “Cara Preta” Chagas.

O grupo não é musical apenas no nome. A pista serve de palco para shows, eventos e festivais, e isso se deve à garra deles, que lutaram para poder transformar aquele espaço em um centro de lazer e convivência. “Dependendo da gestão do CEU, eles interditam nosso movimento”, revela Marcos. “O que acontece é que viram que estamos fazendo algo legal e resolveram abraçar nossa causa”, afirma André Perussi, que é músico, skatista e participa do grupo.

“Tudo começou por causa do grafite”, recorda o skatista Guilhermo Guillis. “A gente tinha que brigar até para grafitar a pista. Só depois viram que era coletivo, e não só um ou outro que fazia. Fazemos tudo em grupo”, ressalta. Guillis e André são os grafiteiros do Butanclan e ajudam a diversificar a parte artística da pista.

“A zona oeste estava carente de eventos de rua à céu aberto. Juntou skate com grafite e música e deu no que está acontecendo agora”, comemora Guilhermo. E não para por aí! O Butanclan gravou o clipe de uma música feita com a ajuda de todos os integrantes em parceria com o Planta e Raíz, um dos maiores conjuntos de reggae do Brasil. “Obrigado Por Existir” é o nome da faixa, em comemoração aos dez anos da pista de skate.

CLIQUE AQUI PARA OUVIR “OBRIGADO POR EXISTIR'' DO BUTANCLAN NA RÁDIO UOL

“A gente já tinha até ensaiado, mas nunca pensamos em fazer uma música da pista. Os membros do Planta que tiveram a visão de perceber o nosso talento e a partir disso chegamos em um clipe”, conta Gabriel “Quase Morto”, que também é skatista e músico.

“É interessante também que o skate abrange tudo quanto é estilo musical. Tem cara que anda com a gente e ouve música erudita. Eu mesmo gosto é de um heavy metal”, disse Marcos. “No meio de skate não tem uma coisa só. Tem de tudo. Eu mesmo sou mente aberta pra vários estilos musicais. Às vezes quero ouvir um rap. Outras vezes estou numa fase mais romântica e quero ouvir um Julio Iglesias.”, brincou, fazendo todos caírem na gargalhada.

Além da parte musical, há também vídeos que são publicados regularmente pelo grupo. “Nossa faculdade foi o Butanclan”, conta o videomaker Ezequiel “Falcon”, que aprendeu a gravar e editar para cuidar do projeto. “Tudo que aprendi a fazer foi ali. As melhores ideias vieram da pista”.

“O skate me fez ter essa visão. Eu também posso fazer a minha música, o meu vídeo. Acho que todo mundo começou a pensar assim”, disse André. Ricardo Chagas resume a importância do espaço em poucas palavras: “A importância do Butanclan é você ter a sua localidade, o lugar em que você se encontra com a sua galera”.

Começamos falando sobre o que era o Butanclan, e vamos terminar da mesma forma. “Essa questão da localidade é fundamental pra formar essa família. Afinal isso é uma família”, completa Ricardo.


Gu Siqueira e Offbeat convidam fãs da Rádio UOL para seu show
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Rádio UOL

Com uma mistura de sons que vai do rock ao samba, passando por ritmos tradicionais e eletrônicos, Gu Siqueira e Offbeat é um conjunto paulistano que lançou seu EP em um show no Rio de Janeiro. O trabalho também foi disponibilizado gratuitamente no site da banda, que conta também com um canal no YouTube.

O líder Gu Siqueira é vocalista e guitarrista, e o Offbeat é integrado por Thiago Liguori (guitarra/samples), Gui Sanita (bateria), Fernando Sagawa (sopros) e Alex Huszar (baixo). O grupo vai tocar em São Paulo, no Serralheria, e convidou todos os ouvintes da Rádio UOL para prestigiarem.

Serviço: Gu Siqueira & Offbeat em SP
Quando: domingo, 17 de agosto, às 20h
Onde: Serralheria - Rua Guaicurus, 857 – Lapa
Quanto: R$15


“Dei pulos de alegria ouvindo a minha música no rádio”, diz Supla sobre novo clipe dos Brothers of Brazil
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André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

Com visual macabro e cenas em preto e branco no maior estilo dos filmes de terror, os Brothers of Brazil estão com clipe novo na praça. O single da vez é “Melodies From Hell'', que mescla um bar colorido e uma floresta sombria no vídeo e conta com um assobio divertido que permeia toda a música. “A beleza está na simplicidade'', disse Supla ao UOL.

O hit foi gravado em Nashville, conhecida como a cidade da música. “O mais interessante foi que a gente passou a tarde tocando para os fregueses daquele bar. Só depois de duas horas, nós pedimos para fazer o clipe”, revelou.

“A gente conseguiu captar a essência do sul dos Estados Unidos”, acredita o músico. Uma curiosidade legal é que a floresta em que se passam algumas das cenas do clipe foi palco de uma das maiores batalhas entre o sul e o norte dos EUA. “Eu estava andando por lá, parei e disse: ‘temos que gravar algo nesse lugar’”.

Prestes a lançar o terceiro disco de estúdio, os Brothers of Brazil, dupla formada pelos irmãos Supla e João Suplicy, se sentem em franco progresso. “A gente está crescendo musicalmente sem parar. Estamos tocando há seis anos e melhorando como músicos e como seres humanos”, avalia o cantor.

Recentemente a dupla lançou “Tudo Pelo Poder”, que também estará no próximo disco. “O álbum vai ser muito musical, é isso que podem esperar. Mas o resto vamos deixar na surpresa”, contou, fazendo suspense.

O novo single já foi ouvido por Supla no FM, e ele não escondeu a alegria. “Eu amo escutar minha música tocando no rádio. Tem artista que diz que não se importa com isso, mas eu quero que o meu trabalho seja ouvido por cada vez mais pessoas. Dei pulos de alegria ouvindo a minha música no rádio”, completou.


5 discos brasileiros que fazem 50 anos
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O cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga. Crédito: Antonio Carlos Mafalda/Folha Imagem

O cantor, compositor e sanfoneiro Luiz Gonzaga. Crédito: Antonio Carlos Mafalda/Folha Imagem

André Cáceres
Do UOL, em São Paulo

A Rádio UOL decidiu espantar a poeira e resgatar grandes clássicos da música brasileira de dentro do baú.
Prepare-se para essa viagem por alguns dos maiores discos nacionais de todos os tempos!

1964 é o que se chama por aí de “ano cabalístico”. Foi o início da explosão internacional dos Beatles e do coroamento de Roberto Carlos com “O Calhambeque”. Sem falar no golpe militar, cuja influência na cultura brasileira se tornaria cada vez maior nos anos seguintes.

Eis uma seleção com cinco discos que completam meio século em 2014. Confira:

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“Sacundin Ben Samba” – Jorge Ben

Segundo álbum do mestre, lançado após o fundamental “Samba Esquema Novo”, esse disco de 1964 traz a sonoridade característica do início da carreira do sambista, já com alusões ao malandro e com direito à canção que é praticamente uma reciclagem do hit “Mas Que Nada”. Ouça “Nena Naná” e tente não se lembrar do maior hit de Jorge Ben.

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“The Composer of Desafinado, Plays” – Tom Jobim

Não estranhe um título em inglês numa lista de álbuns nacionais. Antônio Carlos Jobim estreou no mercado norte-americano em 1963 com “The Composer of Desafinado, Plays”, que foi lançado em terras tupiniquins no ano seguinte.

O disco conta com os maiores sucessos do compositor em arranjos instrumentais com sonoridade característica de jazz. Vale a pena conferir as versões de “Garota de Ipanema”, “Chega de Saudade” e outras canções imortais nessa obra.

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“Maysa” – Maysa

Gravado em 1963 durante uma antológica temporada da cantora pela boate carioca Au Bom Gourmet, o disco “Maysa” foi lançado no ano seguinte, sendo o primeiro registro ao vivo da intérprete.

No trabalho, Maysa vai de Tom Jobim a Adoniran Barbosa, passando por Dolores Duran e Cole Porter em uma performance incrível.

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“Getz/Gilberto” – Stan Getz e João Gilberto

Um dos álbuns responsáveis pela popularização internacional da bossa nova, o trabalho conta com faixas clássicas de Ary Barroso, Vinícius, Tom, Dorival e até mesmo participação de Jobim no piano.

A parceria do saxofonista norte-americano Stan Getz com o violonista e compositor brasileiro João Gilberto é indispensável para qualquer um que goste de boa música.

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“A Triste Partida” – Luiz Gonzaga

Enquanto as rádios eram dominadas por garotos de Liverpool e artistas da bossa nova, Luiz Gonzaga lançou em 1964 “A Triste Partida”, um LP que trazia a famosa “Ave Maria Sertaneja”, que emociona multidões até hoje.

A mescla de canções tristes e alegres é exposta com “Cantiga de Vem Vem”, um xote rápido e animado. Nesse disco também foi lançada a primeira composição de Gonzaguinha, “Lembrança de Primavera”.


A dama canta o blues
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A cantora Billie Holiday. Crédito: AP Photo

A cantora Billie Holiday. Crédito: AP Photo

Lucas Colombo
Especial para o UOL

O que escrever sobre Billie Holiday, neste mês em que se completam 55 anos de sua morte? O que ainda não foi dito acerca dessa fabulosa cantora? Talvez a maior intérprete do jazz, com Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald a dividir o pódio, ela faleceu em 17 de julho de 1959, aos 44 anos. Este texto corre o risco de ser redundante e apenas destacar o que é sempre destacado nela, porém não há muito espaço de manobra. É impossível não elogiar o timbre prontamente reconhecível, a grande capacidade de expressar emoções através do canto, a sensualidade. Sua voz não é o que se pode chamar de “bonita”; é áspera, rascante, anasalada, mas flexível e quente. Com seu fraseado que “jogava” com o ritmo e sua sensibilidade melódica, Billie contribuiu para definir o que é cantar no jazz (Frank Sinatra, aliás, ia ouvi-la quase toda noite) e tornou-se referência até de instrumentistas. Só para permanecer nas intérpretes, e nas contemporâneas, Cassandra Wilson e Madeleine Peyroux são duas que se assumem bastante influenciadas por Lady Day – como Billie foi apelidada pelo parceiro saxofonista Lester Young.

Relativamente fácil apontar suas qualidades, difícil selecionar, por serem tantas, suas interpretações mais notáveis. É que não faltou material de trabalho para Billie expor sua competência: o período no qual viveu foi o mais rico da canção americana, e ela soube usufruí-lo. Gravou todos os grandes compositores. De Duke Ellington, são marcantes em sua voz “Solitude”, em que desenvolve um clima melancólico comovente (há duas versões, a melhor é a em que canta acompanhada do piano de Oscar Peterson e do violão de Barney Kessel, 1952), e “Sophisticated lady”, em que, além da sutil contundência com que emite a letra sobre a senhora que, embora tente disfarçar, sente falta de um amor do passado, demonstra seu controle dos tempos lentos, cujo emprego no jazz vocal igualmente é considerado pioneirismo seu. De Cole Porter, sobressaem-se uma “Let’s do it” graciosa, uma “Love for sale” mais seca (talvez porque, conforme lerão abaixo, conhecesse o tema abordado na letra: prostituição) e uma “Night and day” mais vagarosa. De George Gershwin, uma “The man I love” dengosa e uma “I loves you Porgy” (ária da ópera jazz “Porgy and Bess” em que a protagonista pede proteção ao amado contra o vilão) de drama contido. De Irving Berlin, “Cheek to cheek”, é claro.

Billie Holiday em ilustração do cartunista William Stout

Billie Holiday em ilustração do cartunista William Stout

Em qualquer relação do melhor de Billie, porém, não podem faltar músicas de autores menos festejados mas muito bem tratados por ela. São casos como os de Harold Arlen (“Stormy weather”) e Jimmy Davis (“Lover man”). Outro é Lewis Allan, pseudônimo de Abel Meeropol, poeta que escreveu a emblemática – em termos políticos, não musicais – “Strange fruit”, um protesto contra o linchamento de negros sob o intenso racismo no sul dos Estados Unidos (“Strange fruit hanging from the poplar trees…”), só abolido oficialmente na década de 1960. Hoje muito associada a “Strange fruit”, Billie tinha a canção como o ponto alto de seus shows do começo dos anos 1940, mesmo com várias rádios negando-se a tocá-la.

A grande cantora, no entanto, ainda compunha: “Lady sings the blues” (mesmo título de sua célebre autobiografia, publicada em 1956), “Don’t explain” e “God bless the child”, entre outras menos difundidas, são dela própria, com parceiros. “Fine and mellow”, só dela, começa com o lamento de uma mulher pelos maus-tratos de um homem (“My man don’t love me/treats me, oh, so mean/He’s the lowest man/that I’ve ever seen”), para depois revelar que, apesar disso, ela não resiste quando o sujeito se faz carinhoso (“But when he starts in to love me/he’s so fine and mellow…”). Todos bons casamentos de melodia e letra, de pouquíssimas regravações à altura das versões originais da autora.

A cantora norte-americana Billie Holiday Crédito: FSP - Ilustrada

A cantora norte-americana Billie Holiday
Crédito: FSP – Ilustrada

Outra admiradora sua, a ótima cantora e pianista Shirley Horn (1934-2005) declarou, para o encarte de uma coletânea de 1997, que Billie ajudou a mostrar que canções têm de contar uma história, “significar algo, traçar uma pintura para você (…). Ela não exagerava e brincava e coisas do tipo, feito alguns cantores; apenas parava e cantava. Cantar uma canção, pintar um quadro; deixar você saber tudo o que estava acontecendo, então você poderia ver como a vida dela era.” Pois a própria Lady Day, certa vez, salientou que, para cantar “o blues” (o jazz nasceu do blues, do ragtime e das brass bands), “você tem de senti-lo”, e que tudo que cantava era parte de sua vida. Sempre se deve desconfiar do clichê “a arte retrata a vida do artista”, mas, no caso de Billie, tal noção parece incontornável: ela transmitia por meio do canto muito da sua trajetória atribulada. Nascida quando a mãe tinha somente 13 anos, Eleonora Fagan Gough – seu nome verdadeiro – passou por infância pobre, sofreu abusos sexuais e chegou a prostituir-se na adolescência. Começou a cantar no início dos anos 1930, em nightclubs nova-iorquinos, foi descoberta pelo produtor John Hammond e consagrou-se depois em apresentações com o grupo de Benny Goodman e a orquestra de Artie Shaw, mas sua vida pessoal seguiu conturbada. Billie contabilizou episódios de depressão, decepções amorosas e vício em álcool e heroína, o qual, inclusive, levou-a à prisão, por porte de drogas. Morreu de cirrose. Sua arte sobrevive, para nosso prazer. E reiterar suas qualidades sempre valerá a pena.

“Just treat me right, baby
and I’ll stay home night and day…”

CLIQUE AQUI PARA OUVIR O MELHOR DE BILLIE HOLIDAY NA RÁDIO UOL


Alceu Valença lança vídeo de “Cavalo de Pau” exclusivo na Rádio UOL
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O músico Alceu Valença está se preparando para lançar o CD e DVD “Valencianas''. Gravado ao vivo em Belo Horizonte, o álbum conta com seus maiores sucessos em versões orquestradas. O trabalho é acompanhado pela Orquestra Ouro Preto, sob a regência do Maestro Rodrigo Toffolo.

O disco apresenta um repertório de 14 faixas clássicas do cantor, como “La Belle de Jour”, “Girassol”, “Coração Bobo”, “Tropicana”, “Anunciação” e “Porto da Saudade”, além de “Cavalo de Pau'', que você ouve com exclusividade aqui no Blog da Rádio UOL.

OUÇA O MELHOR DE ALCEU VALENÇA NA RÁDIO UOL


Daniel Daibem faz um convite com exclusividade aos ouvintes da Rádio UOL!
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O músico e guitarrista Daniel Daibem, líder do Daniel Daibem Grupo, entra esta semana em curta temporada de apresentações no restaurante Alucci Alucci.

Além de tocar, o músico propõe debates sobre o ritmo soul jazz em clima de descontração entre as apresentações.

 

Serviço: Apresentação Daniel Daibem Grupo
Quando: 30 de julho
OndeRua Vitório Fasano, 35 – Jardins